mar, 22 2024
George Best, reconhecido mundialmente por seu incomparável talento no futebol, não apenas deixou um legado nos campos, mas também uma história marcada pela luta contínua contra o alcoolismo. Apesar dos esforços extraordinários para combater sua dependência, incluindo a opção por um tratamento inovador de implantes de Antabuse, Best não conseguiu se libertar totalmente do vício, levantando questões profundas sobre a eficácia dessas abordagens terapêuticas diante da complexidade do alcoolismo.
A jornada de Best com o alcoolismo não foi única, mas sim um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos que se encontram presos no ciclo vicioso da dependência. Após um transplante de fígado, motivado por danos irreversíveis causados pelo consumo excessivo de álcool, Best uma vez mais encontrou-se na armadilha de sua adição. Esta situação deflagrou preocupações significativas entre profissionais médicos, sobretudo pelo impacto devastador que o álcool pode ter em fígados transplantados.
O tratamento com implantes de Antabuse, contendo um químico chamado disulfiram, foi considerado uma solução potencial. Essa substância provoca sintomas desagradáveis quando em combinação com o álcool, funcionando como um dissuasor para o consumo. Contudo, a eficácia do tratamento depende substancialmente do autocontrole do indivíduo, um desafio colossal para aqueles lutando contra a dependência.
Dr. Kris Zakrzewski, um especialista que administrou este tratamento a várias centenas de pacientes, descobriu que, embora útil para alguns, o tratamento não era uma solução infalível. De fato, a cirurgia de transplante de Best foi conduzida sob as reservas expressas por Nigel Heaton, o cirurgião encarregado, que estava profundamente preocupado com o potencial retorno ao consumo de álcool pós-transplante. Heaton destacou que doenças crônicas no fígado tendem a progredir mais rapidamente em fígados transplantados, comparados às condições naturais, tornando a abstência de álcool ainda mais crítica.
Um dado alarmante apresentado por Heaton evidencia que aproximadamente 15% dos pacientes que recebem um transplante de fígado devido ao abuso de álcool podem retomar o consumo posteriormente. Prever quem cairá nessa estatística é um desafio imenso, ilustrando a complexidade inerente à recuperação do alcoolismo.
A história de George Best serve como um marco doloroso sobre as batalhas enfrentadas por aqueles em busca da cura para a dependência. Apesar dos avanços terapêuticos e das melhores intenções dos que cercam esses indivíduos, a jornada para a sobriedade é repleta de desafios, muitas vezes exigindo mais do que apenas soluções médicas. A luta de Best contra o alcoolismo ressalta a necessidade imperativa de abordagens compreensivas e multifacetadas na luta contra a dependência, reconhecendo a complexidade da condição e a necessidade de suporte contínuo.
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